Insistir, não necessariamente significa persistir. A 'verdade' dessa palavra esconde tantas outras, que de inocentes acreditamos ser real. Acreditamos que estamos certos de que é amor, quando na verdade, já não resiste alí nem mais o respeito.
Insistir não significa necessariamente querer. Talvez precisar, medo e tantos outros sinônimos que a ela atribuímos. Tanta coisa que parece ser, mas não é. É a vida usando de defesas contra nós mesmos, para não afundar. E é preciso, de alguma forma nos defender, principalmente de nós mesmos, enfatizo. Estamos nos pregando peças a cada instante. E o pior, acreditamos. Acreditamos naquilo que na verdade faz parte da fantasia da qual gostaríamos que fosse real.
Acreditamos saber o que é melhor para nós. Por isso a gente se enche de certezas de que, o que possuímos nos basta e de que fizemos a escolha certa. E de que daquilo não posso abrir mão. E seguimos vivendo assim, seguindo rigorosamente um ritual 'inverdadeiro'.
Seguimos em meio ao caos interior, crendo no final feliz de uma história. Porém suspeito nada ser pra sempre. Deixemos o carnaval passar para que as máscaram caiam e nos mostre a realidade dos fatos.
Quinta-feira, Fevereiro 23, 2012
Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012
Tudo sempre igual
Insanas, indesifráveis e imprevisíveis. Totalmente imprevisíveis. Honestamente, não sei lidar com gente, digo, com esse tipo de gente que já pensa por si só e anda na posição bípede.
Quem me conhece, sabe que sou observadora nata e pouco falante com essa espécie. Embora me relacione com elas, é visível minha incompreensão.
Gente querendo superar incansavelmente outros, sugar toda e qualquer energia boa resultante em um corpo. Olhos fuminantes, e boca cheia de adjetivos e julgamentos. Quero me privar. Sinceramente, gostaria mesmo é me habituar a esse tipo de gente, porém, quanto mais convivo com as mesmas, mais quero distância.
Percebem meu aflito? Haverá alguém, em algum lugar deste mundo que pense da mesma forma? Haverá alguém que não seja dessa forma descrita? Tantas perguntas, e tudo sempre igual.
Quem me conhece, sabe que sou observadora nata e pouco falante com essa espécie. Embora me relacione com elas, é visível minha incompreensão.
Gente querendo superar incansavelmente outros, sugar toda e qualquer energia boa resultante em um corpo. Olhos fuminantes, e boca cheia de adjetivos e julgamentos. Quero me privar. Sinceramente, gostaria mesmo é me habituar a esse tipo de gente, porém, quanto mais convivo com as mesmas, mais quero distância.
Percebem meu aflito? Haverá alguém, em algum lugar deste mundo que pense da mesma forma? Haverá alguém que não seja dessa forma descrita? Tantas perguntas, e tudo sempre igual.
Segunda-feira, Novembro 28, 2011
Um tanto receosa para escrever, pois tenho algumas verdades pra relatar ao meu respeito. As quais eu não estou querendo me fazer entender. Contudo tenho que falar para sentir-me menos culpada e suja.
Sei que nunca te disse tantas coisas. Minhas palavras são sempre carregadas de muita intolerância e irritação. Sem motivo aparente, saem ásperas e sem nexo. Tampouco eu sei porque meus atos são tão impestivos. E não pense que me sinta bem frente à isso. Choro às escondidas, pois não sei controlar minha rispidez frente a você e outras pessoas queridas. Me vejo nos últimos tempos como a 'ovelha negra' em qualquer grupo social no qual me encontro. Não sei se é o título que me consagro ou é o que me colocam e eu sinto isso conforme os olharem me fuzilam.
Acontec eu que, quando nasci, fiz-me forte para sobreviver no meio em que vivia, sofrendo e sobrevivendo a cada dia que se passavam de forma dolorosa. E hoje trago essa bagagem pouco trabalhada, fuzilando todos que se aproximam. E assim com você, naõ é diferente. E não que eu venha a gostar mais ou menos de você. É que esse sentimento é meu, e o jogo sobre qualquer um, independente de sua intenções comigo. Outra coisa que não consigo entender.
Embora eu saiba o que fazer, o orgulho também se apodera e se instala definitivamente, me trazendo ainda mais tristeza.
Tetenho-me a escrever pois não quero ser dura. Não quero mais uma vez mostrar-me impaciente e grossa.
Sei que nunca te disse tantas coisas. Minhas palavras são sempre carregadas de muita intolerância e irritação. Sem motivo aparente, saem ásperas e sem nexo. Tampouco eu sei porque meus atos são tão impestivos. E não pense que me sinta bem frente à isso. Choro às escondidas, pois não sei controlar minha rispidez frente a você e outras pessoas queridas. Me vejo nos últimos tempos como a 'ovelha negra' em qualquer grupo social no qual me encontro. Não sei se é o título que me consagro ou é o que me colocam e eu sinto isso conforme os olharem me fuzilam.
Acontec eu que, quando nasci, fiz-me forte para sobreviver no meio em que vivia, sofrendo e sobrevivendo a cada dia que se passavam de forma dolorosa. E hoje trago essa bagagem pouco trabalhada, fuzilando todos que se aproximam. E assim com você, naõ é diferente. E não que eu venha a gostar mais ou menos de você. É que esse sentimento é meu, e o jogo sobre qualquer um, independente de sua intenções comigo. Outra coisa que não consigo entender.
Embora eu saiba o que fazer, o orgulho também se apodera e se instala definitivamente, me trazendo ainda mais tristeza.
Tetenho-me a escrever pois não quero ser dura. Não quero mais uma vez mostrar-me impaciente e grossa.
Segunda-feira, Novembro 21, 2011
E então você se pergunta, depois de algum tempo e atitudes pouco convincentes, o que faz uma pessoa gostar de você depois de tantos espinhos. Será que então você começa a acreditar no amor? Ou são situações corriqueiras que você simplesmente deixa passar. Apesar de ter um grande carinho, algumas situações nada diferentes, das já conhecidas, fazem com que cansemos um do outro com tanta facilidade, com uma certa frieza, que me assusta. A morte do amor, um sentimento tão bonito, me assusta.
"O nosso amor, uma garrafa de vinho virando vinagre devagarinho." diz a música. E amarga a esperança de qualquer evolução.
Então, não tenho repertório para este desleixo preguiçoso, que não sei onde terminará. Porém, quero que tenha o conhecimento do meu grande amor e carinho outrora transbordando por todos os lados. É amor mesmo que mude. Mas com isso, precisamos mudar as atiudes para que tudo se encaixe. Ninguém vive de passado, precisamos evoluir, andar pra frente e sermos sempre melhor.
"O nosso amor, uma garrafa de vinho virando vinagre devagarinho." diz a música. E amarga a esperança de qualquer evolução.
Então, não tenho repertório para este desleixo preguiçoso, que não sei onde terminará. Porém, quero que tenha o conhecimento do meu grande amor e carinho outrora transbordando por todos os lados. É amor mesmo que mude. Mas com isso, precisamos mudar as atiudes para que tudo se encaixe. Ninguém vive de passado, precisamos evoluir, andar pra frente e sermos sempre melhor.
Terça-feira, Outubro 25, 2011
Você percebe que o tempo está passando quando chega aos 22 anos de idade e vê que nada adquiriu, nem pessoas. E quando você é naturalmente forçado a tomar algum rumo em sua vida, se não, você dança.
Assim me vejo em um labirinto sem saída. Tenho um futuro brilhante. É o que dizem. Porém nada me surge, andando a passos lerdos, sem grandes ganhos no trajeto. Tenho acreditado que para chegar à algum lugar, não é preciso ser somente bom, é preciso também muito luta e garra para estar no lugar que se almeja.
Admito contudo, que tenho tido um pouco de falta de fé, principalmente com as coisas, quiçá com as pessoas. Ela snão me levam a muitas coisas. Não vejo nenhum ponto positivo em me relacionar com vários tipos de pessoas e conviver com as que não gosto. Elas me sugam o quanto podem, me fazem rastejar diante seus pés e nos humilham, como que se fossemos obrigados a lhes fazer favores, como se não fosse de sa obrigação respeitarnos e aceitarnos da forma que somos.
Pessoas autênticas sempre são odiadas e invejadas, porém sempre adquirem tudo aquilo que almejam, pois independente do que fazem ou falem, as pessoas sempre estão em segundo plano. Pensando primeiramente nelas, essas pessoas são pessoas de sucesso e felizes. É. Eu também as invejo. Mas ao contrário de muitos, não quero-lhes mal. Admiro-as. Por isso espelho-me nelas para ser tal qual, ou melhor.
Mas isso você também aprende com o passar do tempo e com a experiência que adquire conforme as convivências.
Assim me vejo em um labirinto sem saída. Tenho um futuro brilhante. É o que dizem. Porém nada me surge, andando a passos lerdos, sem grandes ganhos no trajeto. Tenho acreditado que para chegar à algum lugar, não é preciso ser somente bom, é preciso também muito luta e garra para estar no lugar que se almeja.
Admito contudo, que tenho tido um pouco de falta de fé, principalmente com as coisas, quiçá com as pessoas. Ela snão me levam a muitas coisas. Não vejo nenhum ponto positivo em me relacionar com vários tipos de pessoas e conviver com as que não gosto. Elas me sugam o quanto podem, me fazem rastejar diante seus pés e nos humilham, como que se fossemos obrigados a lhes fazer favores, como se não fosse de sa obrigação respeitarnos e aceitarnos da forma que somos.
Pessoas autênticas sempre são odiadas e invejadas, porém sempre adquirem tudo aquilo que almejam, pois independente do que fazem ou falem, as pessoas sempre estão em segundo plano. Pensando primeiramente nelas, essas pessoas são pessoas de sucesso e felizes. É. Eu também as invejo. Mas ao contrário de muitos, não quero-lhes mal. Admiro-as. Por isso espelho-me nelas para ser tal qual, ou melhor.
Mas isso você também aprende com o passar do tempo e com a experiência que adquire conforme as convivências.
Segunda-feira, Outubro 24, 2011
Posso dizer que, desde que me conheço por gente, vivo a procurar uma maneira pacífica e menos contundente de organizar essa bagunça de informações que virou minha vida a partir, creio, do momento em que nasci.
Essa bagagem de informações negativas que vagam no inconsciente e me perturbam vez em quando, pesam. E não existe, ou ainda não descobri nenhum botão de 'remove to spam', 'delete' ou qualquer coisa do tipo que me faça sentir livre desta contradição de sentimentos.
Ora pensei que o amor seria o antídoto para todas essas úlceras que fervem. Porém provei o veneno. E vivo entre estas duas situações conflitantes que não se aceitam, feito gato e rato. Talvez eu devesse rolar de rir ou chorar, ou talvez eu devesse não ter aprendido nada disso. Talvez eu devesse acender uma vela, correr até a igreja , rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e uma Glória ao Pai para esse veneno não entranhar minhas veias, porém não foi o que fiz. Deixei-me levar, como flor na correnteza e cá me encontro, despedaçada e murcha. Com um único objetivo de uma vida inteira: entender porque nunca pude ser como as outras pessoas, e porque me dedicaram este fardo.
Pergunto-me: "Será que me presentearam tal caminho para mostrarem-me minhas qualidades?", ou "Será castigo este fardo?"
Nada faço de mal, a mim ou a sequer um ser vivo rastejante, inofensivo e sonso. Qual será meu destino, meu fim, minha missão? Será carregar esta ferida sangrando a vida inteira, ou em algum momento cumprirei meu castigo ou será minha benção?
Não há sequer um palpite para tal pergunta, quiçá uma resposta concreta e precisa. Preciso continuar me encontrando entre minha falhas e navalhas, para a algum lugar chegar, seja lá qual for. Contudo, que seja doce.
Essa bagagem de informações negativas que vagam no inconsciente e me perturbam vez em quando, pesam. E não existe, ou ainda não descobri nenhum botão de 'remove to spam', 'delete' ou qualquer coisa do tipo que me faça sentir livre desta contradição de sentimentos.
Ora pensei que o amor seria o antídoto para todas essas úlceras que fervem. Porém provei o veneno. E vivo entre estas duas situações conflitantes que não se aceitam, feito gato e rato. Talvez eu devesse rolar de rir ou chorar, ou talvez eu devesse não ter aprendido nada disso. Talvez eu devesse acender uma vela, correr até a igreja , rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e uma Glória ao Pai para esse veneno não entranhar minhas veias, porém não foi o que fiz. Deixei-me levar, como flor na correnteza e cá me encontro, despedaçada e murcha. Com um único objetivo de uma vida inteira: entender porque nunca pude ser como as outras pessoas, e porque me dedicaram este fardo.
Pergunto-me: "Será que me presentearam tal caminho para mostrarem-me minhas qualidades?", ou "Será castigo este fardo?"
Nada faço de mal, a mim ou a sequer um ser vivo rastejante, inofensivo e sonso. Qual será meu destino, meu fim, minha missão? Será carregar esta ferida sangrando a vida inteira, ou em algum momento cumprirei meu castigo ou será minha benção?
Não há sequer um palpite para tal pergunta, quiçá uma resposta concreta e precisa. Preciso continuar me encontrando entre minha falhas e navalhas, para a algum lugar chegar, seja lá qual for. Contudo, que seja doce.
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Segunda-feira, Setembro 05, 2011
A dor e seus mistérios
Algumas pessoas se prendem às dores, porque, de certa forma, são as únicas coisas que possuem de verdade em suas vidas. Têm medo de perder as pessoas, pois quando as mesmas partem, nada sobra, até mesmo a escuridão os abandona. É nesse momento descobrem que passaram tanto tempo alimentando, discutindo e se importando com as dores, que esquecem de seguir em frente, parando em um único capítulo inacabado de suas próprias histórias. São pessoas que anseiam sonhar, mas que, de uma forma ou de outra, sempre estão inacabadas. Eternamente remando. Vagando moribundas pelas ruas da cidade, discutindo sobre futilidades, apenas para que o tempo passe e elas possam continuar com esse baile de máscaras, fantasiando a própria verdade, são covardes e fracos, ou apenas preguiçosos. A dor chega a ser o combustível mais vendido nessas ruas cheias de concreto, solidão em arranha-céu, fantasmas dentro dos táxis, nesse vai e vem de pessoas estranhas, de vidas incompletas, de sobrevivência vazia em cadeia. É um holocausto lento e doloroso. E dia após dia, lá está ela, quando escovamos os dentes à noite, quando tentamos rezar, pedir por livramento da alma, que os santos, deuses, força qualquer, interceda por nossa agonia dolorosa, tão pesada, tão complexa, tão arraigada, que a falência dos nossos órgãos é apenas o primeiro passo para o cadavérico destino de cada alma machucada. E quando acordamos e imploramos, mentalmente, que esse dia seja diferente, que alguma coisa mude, que seja melhor, que encontremos a luz, que nos façam seguir o caminho certo, que tomemos as decisões que nos tragam felicidade, mais as horas passam; a mochila da vida pesa cada vez mais em nossa subida. Fica complicado sorrir e respirar, duas simples tarefas que se tornaram máscaras obrigatórias para enfrentar um dia de cada vez.
A dor tem desses mistérios. Muitas vezes, dor e prazer se misturam, de certa forma. O prazer nos ajuda a esquecer, temporariamente, a dor, por isso que lutamos tanto para alcançar pequenas conquistas… Mas a dor não some, ela apenas se cala por um determinado período que varia de pessoa para pessoa. A dor nos obriga a ter esperança, porque viver com ela é desejar morrer um pouco a cada dia, nesse exato instante, nasce a esperança, aquilo que nos manterá vivos dia após dia, noite após noite, pesadelo após pesadelo, lágrima após… lágrima. Somos demônios em busca da salvação, anjos que esqueceram o caminho de volta para casa. Estamos perdidos, machucados, fuzilados, tentando nos agarrar a última gota de esperança e nada mais. Sonhadores inacabados, incompletos.
A dor tem desses mistérios. Muitas vezes, dor e prazer se misturam, de certa forma. O prazer nos ajuda a esquecer, temporariamente, a dor, por isso que lutamos tanto para alcançar pequenas conquistas… Mas a dor não some, ela apenas se cala por um determinado período que varia de pessoa para pessoa. A dor nos obriga a ter esperança, porque viver com ela é desejar morrer um pouco a cada dia, nesse exato instante, nasce a esperança, aquilo que nos manterá vivos dia após dia, noite após noite, pesadelo após pesadelo, lágrima após… lágrima. Somos demônios em busca da salvação, anjos que esqueceram o caminho de volta para casa. Estamos perdidos, machucados, fuzilados, tentando nos agarrar a última gota de esperança e nada mais. Sonhadores inacabados, incompletos.
Segunda-feira, Agosto 29, 2011
onça em pele de cordeiro
A única certeza que se tem é que, independente do que você se torne ou da roupa que você use, as pessoas irão te julgar. Pelo que você foi, pelo que se tornou, e pelo queriam que fosse. Por isso essa sensação de desconforto. Medo mais que alívio. Não medo de me julgarem, mas medo de encontrar muita onça em pele de cordeiro. Por isso recuo, tristemente. Entro em mim, como não fazia a tempo. Com medo de dormir. Há receios de que o telefone toque e seja alguém para lhe informar outra mentira cabeluda. Quanto a você, sei que continuará neutro. Não é necessário então, querer-te tão presente. De alguns, queria esquecer até o nome. Nem sei se não faço confusão. Aliás, pouco me importam as confusões, vocês não fazem diferença.
Terei de viver com esta memória desconfortável, idêntica a viver no inferno, sentada ao lado do diabo.Há gente com a qual eu tive o desprazer de conviver, e de nada me acrescentam a não ser exalarem mais futilidade e cinismo. Só que está difícil para eu me adaptar, de alguma maneira, do mesmo modo que vivo e sobrevivo nesta vida me ajustando. Ficam marcas, traumas, cicatrizes, mas estou viva e avanço.
Terça-feira, Agosto 23, 2011
Reúno toda a coragem em mim ainda persistente para continuar o inusitado episódio que me dispus a narrar: este namoro.
Sei que me ama, sei que estará lá para me proteger sempre e sempre, mas o que me machuca é essa sua falta de tempo devido ao trabalho. O que me dói é ver que sabes mais da vida das pessoas que contigo trabalham que da minha própria. Sei que estás mais em contato diário com eles a comigo, e isso dói. Machuca também as datas importantes, ou fúteis, não sei. Esse esquecimento diário e repetitivo vem acabando comigo. Embora eu tenha tentado não mostrar aparentemente nada, dentro estou triste e machucada.
Não tenho mais repertório nenhum para escrever. Não sinto-me motivada. Sigo meus dias assim, vivendo sem esperar muita coisa do destino. Esse mês, do cachorro louco, é preciso ter muita fé e paciência como diz Caio Fernando, mas persiste a tempos e não aguento por muito mais.
Estou desistindo talvez deste episódio, fechando o caderno, começando uma nova história singular, talvez, mais tranquila. Em busca de uma felicidade ímpar.
Eu te amo, e me dói tudo.
Segunda-feira, Agosto 22, 2011
Sugestões para Atravessar Agosto
Caio Fernando Abreu
Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro — e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos, de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.
Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos — ou precauções — úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile à fantasia, categoria originalidade... Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo zap!): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques — tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informação para que as desgraças sociais ou pessoais não deem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas — coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo; evasão, escapismos. Assumidos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.
>>> Publicada originalmente no jornal O Estado de S. Paulo em 1995, a crônica integra a coletânea Pequenas Epifanias (reunião de textos escritos entre 1986 e 1995), lançada pela Editora Agir.
Caio Fernando Abreu
Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro — e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos, de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.
Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos — ou precauções — úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile à fantasia, categoria originalidade... Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo zap!): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques — tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informação para que as desgraças sociais ou pessoais não deem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas — coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo; evasão, escapismos. Assumidos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.
>>> Publicada originalmente no jornal O Estado de S. Paulo em 1995, a crônica integra a coletânea Pequenas Epifanias (reunião de textos escritos entre 1986 e 1995), lançada pela Editora Agir.
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